Aos 57 anos, o ex-vereador itapetiningano Adilson Nicoletti tem entre suas paixões a arte de restaurar automóveis antigos. Um trabalho artesanal que embarcou na febre que tomou conta do mercado: kombis antigas.
Nos últimos oito anos, Nicoletti estima ter comercializado 250 kombis para mais de 14 países. O trabalho de restauro, feito por ele e alguns colaboradores, é artesanal e meticuloso. A qualidade das kombis restauradas em Itapetininga é reconhecida no exterior. Nicoletti conta que chegou a ser convidado para expor os automóveis na Europa, há quatro anos.
Atualmente, segundo Nicoletti, a procura pela kombis continua, embora em ritmo mais lento. No dia desta reportagem, o restaurador tinha duas kombis já prontas para serem comercializadas. Segundo ele, a atenção do mercado está mudando. O SP2, modelo esportivo da Volks nos anos 70, começa a despertar o interesse de alguns consumidores.
No auge da procura, Nicoletti lembra que uma trading (empresa especializada em comércio exterior) de um amigo dele chegou a comercializar duas mil kombis. “O que está virando agora são os leilões; as kombis pegam um preço astronômico nos leilões, mas é uma ou outra que vai a leilão”, explicou Adilson Nicoletti.
De acordo com ele, o que “aumentou muito hoje é o antigomobilismo (segmento de automóveis antigos). Todo mundo quer ter um carro antigo hoje. É aquela pessoa que não podia ter o carro na época, mas hoje pode ter e resolve comprar”. Nicoletti afirma que existe uma relação afetiva nessa história. “Qualquer veículo passa a ideia de liberdade. Por que tem essa obsessão pela kombi? Todo no mundo no Brasil tem uma história com a kombi: era o carro de trabalho, que levava as crianças para a escola. A kombi também ficou muito atrelada ao movimento hippie na década de 60. Ela tem essa coisa da liberdade. E aqui no Brasil era o avô que tinha, o tio. Então, tem essa relação afetiva”. O aumento da procura pela kombi pressionou os preços para cima, fazendo com o comércio desacelerasse, explica Nicoletti.
Trabalhando com restauração de veículos desde a década de 90, Adilson Nicoletti já restaurou e vendeu muitos automóveis. “É o que eu gosto de fazer. Não me considero colecionador. Eu gosto de carro antigo, mas para restaurar e vender. É legal você pegar um carro em mal estado e restaurar, deixar bonito. Transformar! É isso que eu gosto”, explicou.
No caso da kombi, exemplares restaurados em Itapetininga, foram para clientes como Klaus Zellmer, ex-presidente da Porsche na América do Norte. Zellmer esteve três vezes em Itapetininga, para acompanhar de perto o trabalho de restauração. “Eu quase vendi para o Vettel (Sebastian Vettel, campeão da F1), só não vendi porque não tinha uma kombi pronta na época, então indiquei um amigo”, disse Nicoletti. Apesar do sucesso de seu trabalho, o restaurador não vendeu nenhuma kombi no Brasil, até agora.
Começo
O início de tudo, de acordo com Nicoletti, foi em 2012, quando ele trocou o carro usado da filha (um VW Fox), por uma kombi que pertencia ao vereador Miguel Turmeiro. “Fizemos o rolo, dei uma arrumada na kombi e pus pra vender”, conta Nicoletti. Ele informou ainda que apareceu um interessado, que já possuía outras quatro kombis. “Aí pensei o negócio é bom”, mas ele não vendeu para essa pessoa. O veículo foi adquirido por um italiano.
A segunda kombi foi trazida de Santa Bárbara pelo próprio Nicoletti, que lembra que o automóvel tinha folga na direção. “Dei uma arrumada e vendi para um alemão. Depois disso, eu mesmo comecei a restaurar, pois já fazia isso com outros carros”, contou Nicoletti.








